Mostrar mensagens com a etiqueta ventos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ventos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Chave?

Poema visual de ParadoXos





O diálogo ocasional com o vizinho de lugar no 17 escorria-me das camadas de mortos com que visto as conversas ocasionais de autocarro.

O autocarro é um falso lugar para comunicar, expressar nele um pensamento é acabar com a sua verdade.

Em verdade não sei quantos mortos trago vestidos. Tenho chaves que abrem os seus caixões para que delatem pensamentos dos quais não é possível discordar. A poeira dos mortos cobre o vizinho que, quieto, educado, sensível, como um espectador da minha insensibilidade, me sorri o silencioso acordo à morbidez dos dias.

Liberto-me dos dias e penso; -faca - mas fecho as palavras dentro da boca; - a viagem é demasiado curta para o homicídio.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Fénix

Cada vez que a vida insiste em reinventar-me
Dou por mim chegada a um lugar incerto
Por construir e por decorar
O Esplendoroso vazio
Começa a erguer uma imagem
Sem nome
Imagem de coisa completamente nova
Interrogação perplexa sem evidência de pergunta

Inicio o despejo
O lastro do inabalável escorre-me da ampulheta
E perco todo o meu tempo de saber
Flutuo sobre o vazio, voo insustentada
Como se fosse espuma de uma onda desfeita
Que se ergueu acima das águas
Apenas para ser açoitada pelo vento
E é então que o Azul me pede mais

Trago, acorrentadas às mãos, apenas as minhas cores
Liberto-as e… rezo-lhes
Peço-lhes que bailem sem se fundir
Para que o milagre de uma pena colorida me aconteça
...Mas não acontece…
Tudo se funde e a escuridão da noite por estrelar
Devolve-me o lastro que me pesa o pé
Afundo-me na densa prisão de mim
Condenada ao frio e à escuridão do rancor

O desespero Incendeia a minha Fénix
Sobre o cinzeiro das penas
Facho de luz que amacia a escuridão
E me aquece o lastro
Olho o peso finalmente aberto e escolho apenas
O que me funda e me liberta
Aprendo o céu da contemplação
Forjo o esplendor e saio de mim
Respiro todas as cores da minha vida
E encho-me do arco-íris
Milagre da minha pena
Que agora brilha sobre toda a escuridão

Renasço do mesquinho mortal
Penduro todas as cores neste novo local
Regatos, alegres, volteiam o abraço sincero
A montanha inicia o seu canto
As aves voam sobre o som das águas
Brincam com a inocência do riso
Natureza inteira
Matiz que se intui de um sol
Sem paredes, nem janelas, nem cortinas
Sem hora para o levante
Nem hora para o esplendor
Sem hora para o vazio
Nem hora para a rosa
Sem hora para o silêncio
Nem hora para o ocaso
Eu sou a montanha, o regato, a ave, o riso
A rosa e o silêncio
Eu sou, sobre a prancha,
O papel, a tinta e a pena
Sou
E não tenho maneira de escapar

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Ao Intendente

Aluga-se
Bem localizado
A um minuto, a pé, para a vida
Transporte público,
com todas as exéquias,
para a morte
Acesso rápido a eternidades ínfimas de amor.

Espaço amplo,
Largas janelas sobre o mar da imaginação
Cortinado, da mais fina liberdade,
sem bordados ou brocados,
Fixo, por ilusões, a bocados de interioridade
Forjados na luz da escuridão.
Equipado, para suporte da dor,
Com aquecimento a coração.

Possuo lugar vazio,
Sem qualquer propósito ou
intenção de utilização
com serventia de cozinha
(E por que não?) do saguão,
Aguardando ocupação

Se deseja (des)arrumar-se
numa vida para alugar
Contacte os sentimentos
Receba,
caro inquilino,
O melhor dos cumprimentos

sábado, 4 de junho de 2011

:) Violetas na tua janela

Olhei a tua janela sem flores...
Florou-me a sã loucura que me atravessa
Ao pensar-te o sorriso

inicias a passar-me pelos dedos
Como contas de um rosário
Com cheiro a encanto e a sonho

Não resisto a rezar-te...
Bailam nos meus lábios doces
Pensamentos que te rezam verdade

Ilumina-se-me o olhar da tarde
Abro-me ao vento que te traz
Ao esvoaçar dos meus cabelos

Sorvo deliciada o teu cheiro
Essa velha ponte de ti em mim
E dou-me á calma morena de ti

Talvez sejam só as cores da tarde
Ou a seda fina dos meus cabelos
mas tu sorris-me a bonomia

Deixo que a magia de ti em mim
Me redesenhe pétala de violeta,
Viço florido, no teu parapeito

quarta-feira, 16 de março de 2011

Incertezas

É só um passo
Interiormente um abismo
Realidade e sentimento
Diferem
Na proporção do medo
Do desconforto
Do feito face ao sonho
Que colapsou
(E nem sei bem
Quando foi que a realidade
Atropelou o sonho
Ou talvez tenha sido o sonho
A trucidar a realidade)
De real só tenho um passo
De sentimento
A sustentação sobre o abismo
E não é sonho
A realidade o escreverá
A riso ou a lágrima
Na minha face
E vou dançando este meu medo
Agarrada ao futuro
Num passo de tango
Sobre o abismo
Ardente
Da esperança

sexta-feira, 11 de março de 2011

:)

De nada já serve pensar-te
Tão grande a lonjura
Numa nesga de espaço.

Onda que não chega
Cabelos que não pendem
De estrelas pregadas
Em céu pintado de nós

Vento que não acaricia
E seca as cores de esborrachar desejos

De nada já serve pensar-te
Tão grande a lonjura
Numa nesga de espaço
Das tuas folhas
Ao meu azul

Ficaste-me bocadinhos de Lua
Migalhas de Luz

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Lux

Se o amor te encontrar
Deixa-te amar
Cheira, soa e sente
A indefinível força da fragilidade
Ama como se ama o caminho do pardal
E se não souberes ser livre
Finge
Não há amor sem eternidades
E eu amei-te
Como se ama o voo
E tu fosses próprio
A liberdade

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Orgasmo solar




Senti as barras frias
No calor das minhas mãos
Privadas à liberdade das estrelas
Ouvi os segredos do vento
Arco de violino tangendo as cordas do tempo
Fiz-me corpo de árvore sibilante
Transgredi a tristeza do ocaso
Desenhei um arco de céu na minha cela
E chorei solidariamente os olhos cegos
Por um orgasmo do Sol

sábado, 27 de novembro de 2010

Egoismo

Quando olhamos o espelho e vemos apenas a nós mesmos, ao olhar para os outros vemos o que vemos ao espelho; -o inimigo.



Quando olhamos para o espelho e vemos mais do que nós, tomamos para nós o que é próprio de nós, o que é próprio dos outros e o que é próprio do mundo; - compreendemos - então já não necessitamos de ser egoístas.

Gostei da aula :))))

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Nocturno

A noite encosta-se a mim
Mas eu não me encosto à noite
De mim a noite deseja a Treva
Mas a Treva não me deseja a mim
E eu… Eu pisco-lhe o olhar
Entre cada lampejo do que
Não se apaga em mim.


Ensinaram a noite a fazer-se temer
Pela maldição de um negrume
Que não me ensinaram a mim
Enxofre roubado a nebulosa
Faz luminosa a noite
E eu… eu pisco-lhe o desejo...
Deixo que se entregue, intimamente,
Ao Azul que o negro não esconde


Trinco a lua e degusto o breu
Que lhe cai do inóspito batido em claras
Pelo fim do sentir… castelos de sonhos
Que a fantasia encima de pó das estrelas
Acendendo na noite; - outra face
Do mesmo breu.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010





Olhei o vento soprar
Caminho de rio se fazer mar
Fiz-me saia e vesti-me de mim
Pendurei-me nos brincos de abanar caminhos
E passeei pelos meus medos como quem confia
No lado a lado de dois caminhos
Deixei que os passos me abrissem os lábios
A um segredo trazido por outras brisas
O ar de mim vibrou nas cordas de fazer voz
E nem sequer se mostrou terrível o vendaval que de mim saía
O monstruoso que vagava nos meus medos
Ficou na foz do Tejo
Sereno contentamento
De um beijo quente num entardecer
Passeado, lado a lado,
Com a bonomia

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Autofagia





Meu alimento é a cólera,
Ceio a mim mesma
E, assim morro de fome,
De tanto me fartar
in: Coriolano - cena 2 acto 4 - William Shakespeare
Fui âncora da tua esperança
Hoje sou apenas o meu caminho
Uma estrada sem sinais e sem regresso

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Paisagem de solidão

Espreguiçar o dia nas gotas da janela por abrir
O som incessante da cidade em fundo
Ocultando o sol radioso e quente de manhãs por desembrulhar

Escancaro a janela e o mar mostra-se revolto
Espancando as areias nauseadas pela força da tempestade
Que teima em ribombar no céu negro do alto mar

Um grito de gaivota esfaimada irrompe pelo labirinto
É conduzido ao centro sem qualquer encruzilhada
O bradar de um silêncio ofendido pela lascívia que se derrama em presente

O bote da esperança naufraga na praia das ausências
Mastro partido e velas rasgadas pelos ventos da loucura
Que a solidão levantou numa oferta gravada em segunda mão

O som do silêncio impregna o avesso da alma, a limão e a verde,
No postar de mãos em imprecação pelos não amados
E a janela fecha-se certeza de que nem nada lhes será ofertado

Cuspo o negro do céu por entre o espreguiçar de um dia
Chovo as janelas fechadas ao redesenhar da paisagem
Diluvio o prego na parede que pendura a voz das sedas

Silencío a indignidade e pinto estrelas azuis em pétalas de violetas