2 paus + 2 paus = 4 paus
2 dedos + 2 dedos = 4 dedos
2 corações + 2 corações = 4 corações
Pensar 2+2=4 independe do signo associado à ideia
Compreender uma ideia é concebe-la o mais exactamente possível e neste jogo mental a separação entre o eidético e o signo não é possível como no caso de 2+2=4.
O formalismo da compreensão de uma ideia assenta na experiência, pois é esta que dá conteúdo ao signo. O eidético e o signo só são separáveis depois de compreendida a ideia. Ficamos assim numa espécie de infinitamente limitados pela experiência definidora dos signos mentais que nos compõem a ideia.
Pode uma pessoa que nunca amou compreender o eidético em amor?
“Tramou-nos” bem o Platão com a eidética e a procura da essência do mundo das ideias.
Quando tentamos compreender uma ideia estamos na verdade a fazer uma tradução. O mundo das ideias não obedece a leis lógico-verbais, precisa de tradução para o mundo lógico-verbal para que possa ser pensada. Ao efectuarmos a tradução perdemos a essência do mundo das ideias, afasta-mo-nos da eidética.
O único jogo mental em que a ideia se pode dissociar completamente do signo é o sonho. Este obedece apenas ao movimento interno, cria as suas próprias regras imanentes de ideia, não está limitado pelas exigências vindas do exterior. No sonho a eidética é separável do signo e por isso muitas vezes ele se nos apresenta como estúpido; - Não obedece à lógica formal e dedutível que se constrói da experiência.
Deduzimos o mundo limitado à nossa experiência. A sociedade erradicou o mito e matou o sonho ao desinvestir na intuição e apoiar o modus vivendi na dedução lógica.
Estamos a ser roubados do sonho. Estamos a ficar amnésicos de mito.
Quando nos apaixonamos pensamos “amor para sempre” porque a paixão vive do imaginário mítico. Vive do ar das almas.
Diz-se que toda a pessoa é feia até que alguém se apaixona por ela.
O imaginário mítico exalta a beleza, a força e a sabedoria intrínseca a cada ser.
Uma pessoa apaixonada nunca tem dúvidas, impera a vontade da acção e os seus actos são repletos de beleza. No entanto a paixão esmorece, o amor faz-se castelo de areia varrido pelas águas, e o objecto da nossa paixão esmorecida torna-se feio... Tudo se perde porque nos perdemos do “para sempre” mítico do eidético em amor.
A Eidética de Platão é o centro (o ponto de menor turbulência do circulo). Pergunto-me
- Onde estás Arkê?
- Dentro dos meus sonhos?
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Vamos mudar a batida?
O Sr. Ano 2010 está gasto e cansado. Vamos mudar a batida para vigor no novo ano?
Deixemos as velhas dores e os velhos medos arquivados no último minuto de 2010 e deixemos que o sonho realize a partir do primeiro minuto de 2011.
Feliz ano novo
Deixemos as velhas dores e os velhos medos arquivados no último minuto de 2010 e deixemos que o sonho realize a partir do primeiro minuto de 2011.
Feliz ano novo
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Não compreendo
NATAL- MIGUEL TORGA
Velho Menino-Deus que me vens ver
Quando o ano passou e as dores passaram:
Sim, pedi-te o brinquedo, e queria-o ter,
Mas quando as minhas dores o desejaram...
Agora, outras quimeras me tentaram
Em reinos onde tu não tens poder...
Outras mãos mentirosas me acenaram
A chamar, a mostrar e a prometer...
Vem, apesar de tudo, se queres vir.
Vem com neve nos ombros, a sorrir
A quem nunca doiraste a solidão...
Mas o brinquedo... quebra-o no caminho.
O que eu chorei por ele! Era de arminho
E batia-lhe dentro um coração...
Velho Menino-Deus que me vens ver
Quando o ano passou e as dores passaram:
Sim, pedi-te o brinquedo, e queria-o ter,
Mas quando as minhas dores o desejaram...
Agora, outras quimeras me tentaram
Em reinos onde tu não tens poder...
Outras mãos mentirosas me acenaram
A chamar, a mostrar e a prometer...
Vem, apesar de tudo, se queres vir.
Vem com neve nos ombros, a sorrir
A quem nunca doiraste a solidão...
Mas o brinquedo... quebra-o no caminho.
O que eu chorei por ele! Era de arminho
E batia-lhe dentro um coração...
sábado, 27 de novembro de 2010
Egoismo
Quando olhamos o espelho e vemos apenas a nós mesmos, ao olhar para os outros vemos o que vemos ao espelho; -o inimigo.
Quando olhamos para o espelho e vemos mais do que nós, tomamos para nós o que é próprio de nós, o que é próprio dos outros e o que é próprio do mundo; - compreendemos - então já não necessitamos de ser egoístas.
Gostei da aula :))))
Quando olhamos para o espelho e vemos mais do que nós, tomamos para nós o que é próprio de nós, o que é próprio dos outros e o que é próprio do mundo; - compreendemos - então já não necessitamos de ser egoístas.
Gostei da aula :))))
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
murros em ponta de faca
O vermelho ocaso inicia-se
Está húmido
Caminho lado a lado com a indiferença
Grito dentro que se alastra pelos lábios cerrados
Percurso sinuoso
Deixando na boca a amargura metálica da solidão
Está frio
O desconforto é ainda um sinal
Estou viva!
E o final desta tarde
Pode ainda ser meu
Senhora do fim de uma tarde por escrever
Estou viva!
Não é tarde ainda
Está húmido
Caminho lado a lado com a indiferença
Grito dentro que se alastra pelos lábios cerrados
Percurso sinuoso
Deixando na boca a amargura metálica da solidão
Está frio
O desconforto é ainda um sinal
Estou viva!
E o final desta tarde
Pode ainda ser meu
Senhora do fim de uma tarde por escrever
Estou viva!
Não é tarde ainda
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Ítaca não é uma ilha
Estive a ler a Odisseia e que narrativa!!!
Tinha ensaiado, aos 16 anos, a leitura na tradução dos padres Dias Palmeira e Alves Correia sem o ter conseguido o intento. Comprei no entanto a tradução de Frederico Lourenço, uma edição do Cotovia; - a quem muito agradeço o trabalho - e li Homero de um sopro. Digo de um sopro porque tentei lê-lo como se o Aedo, ainda ele, me soprasse as palavras ao ouvido.
Ítaca não é uma ilha! É prémio à consciência seja qual for o caminho. Ulisses faz o caminho da dor, Telémaco o do amor. E talvez seja este o “interesse imorredouro” da história a que se refere na introdução Frederico Lourenço.
Ítaca não é uma ilha! É o reconhecimento à coragem (Ulisses, Homem de mil ardis) e à esperança (doce Telémaco).
“ A ele deu resposta a sensata Penélope:
“Meu filho, tendo o coração no peito cheio de espanto;
Não consigo proferir palavra alguma, nem perguntar nada,
nem sequer olhar para ele, olhos nos olhos. Mas se ele é
na verdade Ulisses chegado a sua casa, sem dúvida ele e eu
nos reconheceremos de modo mais seguro, pois temos
sinais, que só nós sabemos, escondidos dos outros.”
“Não te enfureças contra mim, Ulisses: sempre foste em tudo
o mais compreensivo dos homens. Os deuses deram-nos a dor,
eles que por inveja não permitiram que ficássemos juntos
a desfrutar a juventude, para depois chegarmos ao limiar da velhice.
Mas agora não te encolorizes nem enfureças contra mim
Porque, ao princípio, quando te vi, não te abracei logo.
É que o coração no meu peito sentia sempre um calafrio quando
Pensava que aqui poderia vir algum homem que me enganasse
Com palavras. Muitos só pensam no mau proveito.”
Pudéssemos nós saber os sinais, como os sabia a fiel Penélope, para destrinçar o herói dos que nos devoram a casa.
Ítaca não é uma ilha! É o continente humano da cultura transmitida e dos valores apreendidos.
Obrigada mais uma vez ao Sr. Professor Frederico Lourenço pelo seu trabalho que me deixou, nas palavras de Penélope, a esperança:
“se na verdade os deuses te vão conceder uma velhice feliz,
Há ainda esperança de que possas afastar os outros males”
Assim tenhamos nós a humildade de Telémaco para viajar e aprender os sinais com os que os sabem.
Tinha ensaiado, aos 16 anos, a leitura na tradução dos padres Dias Palmeira e Alves Correia sem o ter conseguido o intento. Comprei no entanto a tradução de Frederico Lourenço, uma edição do Cotovia; - a quem muito agradeço o trabalho - e li Homero de um sopro. Digo de um sopro porque tentei lê-lo como se o Aedo, ainda ele, me soprasse as palavras ao ouvido.
Ítaca não é uma ilha! É prémio à consciência seja qual for o caminho. Ulisses faz o caminho da dor, Telémaco o do amor. E talvez seja este o “interesse imorredouro” da história a que se refere na introdução Frederico Lourenço.
Ítaca não é uma ilha! É o reconhecimento à coragem (Ulisses, Homem de mil ardis) e à esperança (doce Telémaco).
“ A ele deu resposta a sensata Penélope:
“Meu filho, tendo o coração no peito cheio de espanto;
Não consigo proferir palavra alguma, nem perguntar nada,
nem sequer olhar para ele, olhos nos olhos. Mas se ele é
na verdade Ulisses chegado a sua casa, sem dúvida ele e eu
nos reconheceremos de modo mais seguro, pois temos
sinais, que só nós sabemos, escondidos dos outros.”
“Não te enfureças contra mim, Ulisses: sempre foste em tudo
o mais compreensivo dos homens. Os deuses deram-nos a dor,
eles que por inveja não permitiram que ficássemos juntos
a desfrutar a juventude, para depois chegarmos ao limiar da velhice.
Mas agora não te encolorizes nem enfureças contra mim
Porque, ao princípio, quando te vi, não te abracei logo.
É que o coração no meu peito sentia sempre um calafrio quando
Pensava que aqui poderia vir algum homem que me enganasse
Com palavras. Muitos só pensam no mau proveito.”
Pudéssemos nós saber os sinais, como os sabia a fiel Penélope, para destrinçar o herói dos que nos devoram a casa.
Ítaca não é uma ilha! É o continente humano da cultura transmitida e dos valores apreendidos.
Obrigada mais uma vez ao Sr. Professor Frederico Lourenço pelo seu trabalho que me deixou, nas palavras de Penélope, a esperança:
“se na verdade os deuses te vão conceder uma velhice feliz,
Há ainda esperança de que possas afastar os outros males”
Assim tenhamos nós a humildade de Telémaco para viajar e aprender os sinais com os que os sabem.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
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